Sábado, 24 de Julho de 2004

Separação da Susana

"Querida Susana:
Eu sei que o conselheiro matrimonial disse que não deveria haver
contacto entre nós, durante o nosso período 'de acalmia', mas eu não
consigo aguentar mais. No dia em que me deixaste, eu jurei que nunca
mais te dirigia a palavra. Mas isso era só o rapazinho magoado
dentro de mim a falar. Ainda assim, eu nunca quis ser o primeiro a
avançar.
Na minha fantasia, eras sempre tu que voltavas a rastejar para mim.
Acho que o meu orgulho precisava disso. Mas agora vejo que o meu
orgulho me custou uma série de coisas.
Estou farto de fingir que não preciso de ti. E já não me importo de
fazer má figura. Não me interessa qual de nós dará o primeiro passo,
desde que um de nós o dê.
Talvez seja altura de deixarmos os nossos corações falarem mais alto
do que a nossa dor. E isto é o que o meu coração diz...
Não há ninguém como tu, Susana. Eu procuro-te nos olhos e seios de
cada mulher que vejo, mas elas não são tu. Não chegam sequer aos
teus pés.
Há duas semanas, encontrei uma mulher num bar do Bairro Alto e
levei-a para casa comigo. Não digo isto para te magoar, mas apenas
para ilustrar a profundidade do meu desespero. Ela era nova, talvez
19, com um daqueles corpos perfeitos que só a juventude e talvez uma
infância passada em patinagem podem dar. Quer dizer, um corpo
perfeito. Mamas que não dá para acreditar e um rabo tipo carapaça de
tartaruga, redondo e rijo. O sonho de qualquer homem, não é? Mas
enquanto estava sentado no sofa a ser chupado por esta jovem
deslumbrante, eu pensei, vejam só aquilo que consideramos importante
nas nossas vidas. É tudo tão superficial. O que é que um corpo
perfeito significa? Será que a torna melhor na cama? Bem, neste
caso, sim. Mas estás a ver onde quero chegar? Será que isso a torna
uma pessoa melhor? Será que ela tem um coração melhor do que a
minha, moderadamente atraente, Susana? Duvido. E nunca tinha pensado
nisso antes.
Não sei, talvez esteja a amadurecer um pouco. Mais tarde, depois de
lhe ter despejado uns decilitros de iogurte de garganta, dei por mim
a pensar, "porque é que me sinto tão esgotado e vazio?" Não era
apenas a sua técnica perfeita e a sua fome de sexo e luxúria, mas
algo diferente. Um sentimento de perda.
Porque é que me sentia tão incompleto? E então apercebi-me. Não
senti a mesma coisa porque tu não estavas lá, Susana, para ver.
Percebes o que quero dizer? Nada significa nem tem o mesmo sentido
sem ti. Por amor de Deus, Susana, estou a enlouquecer sem ti. E tudo
o que faço me lembra de ti.
Lembras-te da Carolina, aquela mãe solteira que encontrámos no
ginásio, no ano passado? Bem, ela passou cá em casa na semana
passada, com um tacho de lasanha. Ela disse que imaginava que eu não
devia andar a comer nada de jeito sem uma mulher por perto. Só mais
tarde é que percebia o que ela queria dizer com aquilo, mas essa não
é a verdadeira história. De qualquer maneira, bebemos uns copitos de
vinho e passado um bocado estávamos a dar-lhe forte e feio no nosso
velho quarto. E a devassa é um verdadeiro animal na cama. Ela deu-me
tudo, sabes, assim como uma verdadeira mulher faz quando não está
preocupada com o peso ou a sua carreira ou se os filhos nos vão
ouvir ou não. E de repente ela viu aquele velho espelho giratório
que está em cima da cómoda que era da tua avó. Então ela agarrou no
espelho e colocou-o no chão, de maneiro a que nos podíamos observar
os dois. E é uma sensação espectacular, mas que me deixou triste
também.
Porque não consegui deixar de pensar, "Porque é que a Susana nunca
pôs o espelho no chão? Temos esta cómoda há 14 anos, ou coisa que o
valha, e nunca o usámos como brinquedo sexual."
No sábado, a tua irmã passou cá com a ordem do tribunal que me
proíbe de me aproximar de ti. Quer dizer, a Paula ainda é uma miúda,
mas tem uma cabeça muito porreira assente nos ombros e tem sido uma
verdadeira amiga para mim durante estes tempos difíceis. Ela tem-me
dado excelentes
conselhos acerca de ti e acerca das mulheres em geral. Ela está
realmente empenhada em que nós fiquemos juntos novamente, Susana.
Está mesmo.
Então, numa destas ocasiões, damos por nós a beber uns copos dentro
de uma banheira de espuma e a falar de tempos mais felizes. Aqui
está uma adolescente que tem o mesmo ADN que tu e eu só consigo
pensar no quanto ela me faz lembrar do quanto ela se parece contigo
quando tu tinhas 18 anos.
E isso quase me faz chorar. E afinal descubro que a Paula gosta
mesmo de toda aquela cena anal, o que me faz lembrar do número
imenso de vezes que te pressionei para experimentares e que isso
talvez pudesse ter alimentado o azedume entre nós. Mas será que
consegues ver que, mesmo quando estou a bombar dentro do anel
castanho da tua irmã, tudo o que consigo fazer é pensar em ti? É
verdade, Susana. E no fundo do teu coração, tu sabes disso.
Não achas que podíamos começar de novo? Acabar com as amarguras, com
os ódios e começar tudo do zero? Eu acho que podemos.
Se sentes o mesmo, por favor, por favor diz-me, caso contrário,
podes-me dizer onde está o controlo remoto da televisão?
João

publicado por Bisbilhoteiro às 09:02
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2 comentários:
De macaca_ninja a 29 de Julho de 2004 às 00:05
Querida Susana, vá-se foder. Aprenda a foder!


De conselheiro_sentimental a 25 de Julho de 2004 às 17:56
Cara Susana: se você soubesse o k o Paulo Portas faria por um homem assim.... estou sem ideias. compre méle de abelha e coma até morrer de diabetes


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