Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2004

As aventuras do profeta Zacarias cap.I

Galileia, Século II a.C., dia 23 de Janeiro por volta das 16h30m. O céu estava toldado por um inverno triste e cruel, que trinituava palavras de terror e sangue para os esquizofrénicos que tinham medo de ser fritos em 3 AA Girassol por, segundo os capri-sonnes da altura, serem bruxos ou estarem possuídos por um demónio qualquer. ERRADO! Toda a gente sabe que os demónios vivem em Ibiza. O pôr-do-sol era daqueles que o Kubrick viria a gostar cerca de 2200 anos mais tarde. Zacarias passeava tristmente pelo edificio transparente de janelas sujas. O edificio era um edificio. Toda a gente sabia disso. O que ninguém sabia, nem o próprio Zac, é que um homem podia vir a mudar todo o rumo da História deste pacato planeta que revolve à volta da estrela Sol. Ainda mais inacreditável, é que esse homem se chamava Zacarias e não era outro Zacarias qualquer, mas sim aquele Zacarias que estamos a falar! Pode parecer óbvio no meio desta narrativa, e o leitor já teria, claramente, percebido. Mas é de vital importância sublinhar que Zacarias era, como alguns africanos americanizados gostariam de chamar : "Tha main man".

Zacarias tinha nascido numa casa perto dum bairro social. O bairro tinha mais de 20000m2 e só 5 torres de 13 andares! Tinha sido um autentico condominio de luxo em potencial mas por causa de uma estupida revolução foi ocupado por ocupas vindos do rio. Claro que depois foi a degradação total. Os elevadores movidos a bisonte deixaram de subir e descer. Uma vez uma criança chamada machado caiu no poço e não voltou para contar. Azar. A Tvi ainda não existia na altura, por isso o facto passou despercebido para a maioria da Galileia. Os jardins foram considerados como algo de muito incomodo e não tardaram a desaparecer. Os prédios ficaram cansados, sem tinta, cheios de lixo. Ouvia-se insultos a toda a hora, e quem entrasse no bairro arriscava a integridade físico-quimica. Zacarias não tinha medo. Ele caminhava sobre a água, dormia no fogo, comia jardineira, e roçava-se luxuriosamente na carpete da sala. De qualquer das maneiras, Zacarias viu-se obrigado a frequentar a escola desse bairro. Zacarias não dizia asneiras e temia os Deuses que tinha visto nas colecções da planeta-agostini. Zacarias lembra-se: "Foda-se, a primeira vez que eu disse asneiras foi na segunda classe. Tava escondido com um amigo meu duns gaijos para lhes bater, e tive a coragem de as dizer "Foda-se, Caralho, Filho da Puta!" Foi assim..." Zacarias tremeu na altura. Quase um pre-orgamisc chill. A partir daí passou a dizer tantas asneiras como as outras crianças. Depois de ir para os meios ricos, impressionava as miudas com o seu tão rico calão. "Vai ao cu a ti" dizia ele em vez de "Está calado, oh, boi". As adolescentes ficavam, claramente, molhadas. Mesmo assim, isto não era um filme de anime, e as adolescentes virgens ficavam, para depois mais tarde serem forçadas no banco de trás de um ranger rover com 4 vodkas limão na carola. Ye!

De qualquer das maneiras, era bastante obvio para Zacarias que mesmo para os insultos havia uma hierarquia. Foda-se era o menos mau. Caralho intermédio. Filho da Puta era o terror. Toda a teia emocional deste jovem se desenvolveu à volta destas 3, 4, sagradas palavras. "Ugh, que nojo...que cheiro a hospital" diziam alguns membros mais revoltados do rebanho. Zacarias precisava de telefonar para o seu criador, o cosmos, e não poupava nos períodos.

Mais tarde, esse mesmo bairro passou a ser um supermercado de droga. Dois ressacados na entrada do bairro trabalhavam por meio pacote à hora para sempre que vissem a bófia a aproximar-se do bairro berrarem "água! água!". Uma vez um jornalista brilhante disse acerca da complexa malha sócio-cultural desse sub-mundo: "Eles usam palavras código. Castanha é Heroína e Branca é Cocaína." Se este descobrisse os códigos "pacote" e "base" correria certamente para um pullitzer ou prémio qualquer que os arrumadores não conhecem ou já não se lembram.

Zacarias foi para o deserto. Drogou-se bastante, sem nunca ter ficado agarrado, sem nunca ter ressacado. Comia baba de camelo. Um dia tava em ácido e chegou lá o diabo e disse-lhe: "Tás a ver estas belas torres, o rio, a camara municipal?". "Toue" disse Zac. "Isto pode ser tudo teu se deixares a droga e fores para presidente do Boavista, para comprar o que a industria do inferno produz." Os trabalhadores dessa industria, tinham que sofrer para sempre para pagar empréstimos ao banco. Foda-se, sabe Deus, quanto custa pagar um opel corsa e um T2 em Valongo. E assim, por terem comido pecados capitais na ultima ceia penavam no inferno de Ford. Zacarias respondeu ao demo: " FAZ ESSE CARAI!"

As pessoas eram claramente satânicas. Adoravam o demónio. O demónio do consumismo. Devoravam a vida privada do Rei Salomão. Uma vez o filho deste ia-se casar com uma egipcia, mas ficou tudo anulado porque se descobriu que esta fazia bondage com ligaduras.

Zacarias comtemplava as dunas do deserto. Um escorpião, daqui a exactamente cinco minutos, vai-lhe dar uma picada, provavelmente mortal. O demónio tinha voltado para a sua pele de novo rico, patrão de fábrica de calçado do vale do ave, 4ª classe, explorador de crianças "Foda-se, mais vale isso do que andarem na escola sem fazer um caralho!", grande bronco, maltrata os empregados, paga mal, e angustia com a amante sob os bmw que não pode ter. O escorpião ao saber disto, e diga-se, com grande justiça, foi-se meter nos sapatos dessa fábrica e assim nasceu o miguel vieira. Zacarias detestava sapatos miguel vieira mas não sabia que lhes devia a vida. "Que grande bitorinos carago".

Zacarias voltou para a cidade. Desta vez ele sabia que nada nem ninguém o podia parar. O demónio tinha cometido um erro crasso. Mostrou a Zac o que era o inferno e Zac saiu de lá sem ressacar nem um bocadinho assim oh. Passados uns 200 anos, um copião do Zac também foi para o deserto mas em vez de se drogar não comeu. Ora, o efeito foi o mesmo, mas muito menos divertido. Zac demonstrava assim a sua superioridade intelectual.

publicado por Bisbilhoteiro às 08:58
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3 comentários:
De leic_dealer a 24 de Janeiro de 2004 às 06:17
sinestesia, historias encapsuladas, fragmentadas, intersectadas numa só. como um cogumelo ou um nenunfar adeus


De threeheadedboy a 22 de Janeiro de 2004 às 22:33
Zacarias tinha nascido numa casa perto dum bairro social. O bairro tinha mais de 20000m2 e só 5 torres de 13 andares! As pessoas eram claramente satânicas. Adoravam o demónio. Zacarias não tinha medo. Ele caminhava sobre a água, dormia no fogo, comia jardineira, e roçava-se luxuriosamente na carpete da sala. As adolescentes ficavam, claramente, molhadas. "Ugh, que nojo...que cheiro a hospital" Zacarias voltou para a cidade. Desta vez ele sabia que nada nem ninguém o podia parar. Drogou-se bastante, sem nunca ter ficado agarrado, sem nunca ter ressacado. Um dia tava em ácido e Os prédios ficaram cansados, sem tinta, cheios de lixo. Ouvia-se insultos a toda a hora "Foda-se, Caralho, Filho da Puta!" , mas ficou tudo anulado porque Zacarias precisava de telefonar para o seu criador, o cosmos, e não poupava nos períodos. A partir daí passou a dizer tantas asneiras como as outras crianças forçadas no banco de trás de um pôr-do-sol daqueles que o Kubrick viria a gostar cerca de 2200 anos mais tarde. Zac demonstrava assim a sua superioridade intelectual. (...) mil bifurcações...


De sidsidsid a 22 de Janeiro de 2004 às 11:53
Sim senhor! Temos poeta!


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