Quarta-feira, 12 de Abril de 2006

Ode Caótica

Teatro demente, macacóide, com amor debaixo dos pés
daquele teatro que se pedires, ele voa!

sao agoiros sujos que remato
em fim de noite caótica
cuspo e sangue mal lavados
freio de árvore neurótica

há um dia para acreditar
num improviso metafísico
de quem não se quer ir deitar
sob o lençol de um tísico

dá-me pantufas, alegre mancebo
verte-me chão e moinhos
pretendo verde, amarelo e acordar cedo
quero beber eternos ventos e vinhos

estando só
mal acolchoado
entro de trenó
em céu queimado

nasço pulgas, colho rebentos
sou a fímbria do destaque
ataco como fungos selvagens momentos
sou o sopro que morre num baque

atordoa-me porém
noite doninha leve
vives alegre tu também
vives mais por quem te deve

espasmódico retinir da palavra
na estante coberta de livro
é a terra que ninguem lavra
é desta que não me livro

é um canto, espanto, encanto
que consagro a jovens seguidores
alegrem-se, beijem-se, escolham o pranto
e refuljam os dias nas veias de violadores


O Apelo

Vamos ser um pouco mais surrealistas do que há pouco
vamos largar a rima inquisidora
que nos censura a mao a lápis
e acorrenta a vontade ao laço de um sinónimo fonético

queremos liberdade
não sabendo
ainda
o que fazer com ela!!

aqui a exclamação é demasiada, prepotente
não gosto de ofensas verbais em pontos exclamatóinos
uso de neologismo adensa a atmosfera

teatro surreal
aqui há luz para todos
entre quem quiser!
é o circo da letra azul, palavra cortada a machado

o preço pouco vale
tudo o que tem preço nao tem qualquer valor
vocabulos nietzschianos intemporais

(intervalo para descançar os dedos vagabundos)

...

Retoma do trabalho. o almoço fora breve na aldeia muscular
o dedo ja comeu demasiado, encheu uma barriga de costumes francos
cresce agora como que um rumor vermelho
será sangue? ou oxigénio mal distribuido
a forma tubular ostenta mais vida que a razão descodifica

Saque...

tudo a saque
o mundo espera por mais
mas só damos quanto temos, se quisermos
ouvem-se preces desmistificadas, cortam-se pulsos no desespero
de quem ficou para tras
num quarto a ferver de fraca luz
sem sandálias para mais dinheiro

carne de porco enjoada
quero menos do que estar a infernizar-me dentro desta chama
de repasto dionísico
trazei-me Baco e seus alegres manjares

auscultai-me o coração
que não pede
que não raspa
que.

Cedo

é cedo e com sede sudomizo-te
sob a sebe que sabe sobre tudo
o que é soberbo, sabendo que seborreia e sebo
não se construiram num só biombo

japonês, de face cristalizada ao luar romântico
de verniz doce lilaz, sem a pálpebra intemporal
da palavra que sai leve e doce
qual mel libertino
escorrega pela manção mental
não te sentes ir?

e flui, é viscoso.

Portanto

às tantas da noite tocam The Beatles, e livreiras bem dispostas
de cantares escondidos que brincavam em pequenos
também eu fui pequeno brincalhão
também eu pequenava cantando sem medo da brincadeira de um escaravelho que velou a noite disposta em estante sem livro de eu

Soásticas

soásticas palavras surrealistas, ridiculas
dir-se-ia que querem ser maiores
dir-se-ia junto do céu encoberto pelo Encoberto que nos traz a Mensagem
Mensageiro grande gigante atroz fervente mundo pessoano
ribalta do papel

chumbaste-nos a escrita para sempre
com tratados dispostos em conjunto
mal sabiamos que iria ser assim
ter-te-iamos trancado as portas do Martinho da Arcada
trazer-te-iamos a lei seca

enciclopédias de atrocidades, não para ti,
desta vez para outros piores do que tu

em tantos anos te dissolveste

Fogão

arde, lento azul, o vale crepitante
soa a croquetes bem passado
traz o sabor da chuva e ouve-se algo mais do lado de lá
não é espelho não senhor
outras obras merecem apreço
outros cantares de olhos tristes souberam o que é uma cesta de vime
enfeitada de colares persas, para serem bonitos
mas lavados com o tabaco de quem os comeu em sangue
de gengivas escurbuteadas

rasgos de pele

Crença

a perseguir um final
exaspero por um
crispo nas ondas mentais de quem nao sabe mais escrever
lerdo, aferrolho-me à ideia
de que um final
não tem forçosamente que terminar


Abade R. Fatia

publicado por Bisbilhoteiro às 04:54
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