Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

Um Crime em Farelos

Folhetim nº1


O dia amanheceu meio fosco na aldeia de Farelos, uma chuvinha intermitente durante a noite tinha afastado toda a gente para casa mais cedo que o habitual, fazendo com que de manhã todos andassem como o tempo. Acabrunhados e metidos em sí mesmos. Este estado de espírito até não é normal em Farelos, regra geral nesta aldeia de 25 habitantes encravada no sopé duma montanha e cujos vizinhos mais próximos se encontram a cerca de 50km de distância, o habitual é que todos se metam na vida alheia, apesar de metade não falar com a outra metade, são vicios ciclicos e não apenas ciclos viciosos.

E foi assim, já a manhã ia alta, que Abílio, viuvo de 61 anos, resolve passar pela casa de Carlos Miguel seu vizinho, para saber se as pipas, que tinha ajudado Carlos a encher na véspera pela noitinha, se tinham aguentado sem verter. Depois de muito chamar e bater à porta, sem resposta, resolve ir directamente à adega para ver por ele mesmo. Ao entrar na adega húmida e escura sente um arrepio que lhe lembra que nunca se sentiu bem ali, nem mesmo no tempo da falecida, que deus a tenha, pobre alma, que morreu de uma forma tão inusitada. Abílio estende o braço e toca no interruptor. Com luz a adega até não é assim tão arrepiante, imediatamente os seus olhos se habituam à luminosidade e vislumbram com horror o que durante a noite ali se tinha passado. Pelo chão correm como um rio vermelho, litros e litros de morangueiro, que se escaparam por uma frincha da pipa…que desperdício pensou Abílio, preparando-se para ir procurar Carlos para o avisar do acontecido. E é ao voltar-se, que nota que algo mais aconteceu ao canto da adega, ao aproximar-se não vê uma corda no chão, tropeça de encontro a uma pipa e o embate seco surpreende-o pois recordava-se perfeitamente de ter enchido aquela pipa e no entanto ela estava vazia, mas não pode ter vertido porque ao contrário da outra não há vinho espalhado no chão, intrigado contorna a pipa à procura da torneira e depara-se com o inacreditável: Carlos jaz nú no chão com apenas uma peúga branca meio calçada, de olhos esbugalhados e boca escancarada mesmo por baixo da torneira e estomago algo inchado…
Abílio corre desesperado aos gritos para fora da adega em busca de auxilio.

Eram 11:23 da manhã de Quarta-feira.


O dia amanheceu solarengo, Reinaldo Sarrabulho começou o seu dia como todos os outros, acordou às 7, vestiu um dos seus fatos pretos riscados, com gravata também ela preta e camisa branca engomada, tudo com um leve odor a naftalina e de chapéu de feltro na cabeça e guarda chuva na mão dirigiu-se à pastelaria da D. Rosa para desjuar, comprou o jornal no quiosque da esquina e seguiu para a esquadra 122, destacamento 5, divisão C onde trabalhava. Chegou precisamente às 9:12. Pegou no jornal e deu graças por o dia estar calmo e poder ler em paz e sossego.

Às 11:38 da manhã de quarta-feira o telefone tocou…


Às 13:46 da tarde de quarta-feira, o detective Sarrabulho chega a Farelos. Os guardas da GNR, os primeiros a chegar ao local do crime, circunscreveram a área do crime e ao lado de um deles que se apresenta como Sr. Guarda Serôdio, está um homem de aproximadamente 60 a 70 anos, vestido com umas jardineiras e ar bastante calmo. Serôdio apresenta-o como a pessoa que encontrou o cadáver e que deu o alarme: Abílio Macieira de 61 anos, vizinho do falecido e tanto quanto se sabe a última pessoa a vê-lo com vida.

Sarrabulho olha em volta e detecta um olhar amedrontado entre os mirones, algo se passa com aquela rapariga e certamente terá que ver com o acontecido, mas terá que ficar para mais tarde, agora a cena do crime…ao entrar na adega Serôdio inicia o relato dos acontecimentos:
“- De acordo com a testemunha, na noite anterior até por volta das 20:30, Abílio esteve a encher pipas de vinho com Carlos Miguel, a victima, regressando hoje por volta das 11:00 da manhã para ver como estavam as pipas, encontrou Carlos após ter embatido numa pipa oca e que deveria estar cheia. Deu o alarme em pânico aos gritos pla rua, eram mais ou menos umas 11:20.
Quando chegámos o tio de Carlos Miguel, Joaquim Miguel, aguardava no exterior da casa, disse que ali se encontrava para evitar que mirones lá entrassem. Disse que com a sua formação estava habituado a momentos de tensão e que sabia como agir.”

Subitamente na rua gera-se um alvoroço, Sarrabulho sai da adega a tempo de ver um homem com aspecto de quem está bêbado e cheio de palha e algo que parece terra a cobrir-lhe parte das roupas, a berrar que o que aconteceu já foi tarde. Aproxima-se o pároco que se apresenta: “- Detective, sou o Padre Jacinto, são terríveis os acontecimentos que me chegam aos ouvidos, se o puder ajudar de alguma forma, por favor não hesite.”

“- Como está Sr. Padre, Reinaldo Sarrabulho detective. Conhece o homem que se encontra aos berros e o porquê de dizer que a morte de Carlos Miguel já foi tarde?

“- É uma ovelha que se perdeu há muito, bebe durante todo o dia na tasca do Chico, o dono do outro café cá da aldeia, chama-se António, todos o tratam por Toni, e desde miudo que tem uma zanga com o Carlos, parece que este lhe roubou a namorada, quando andavam na escola. Ora bem vê, que não é razão pa se zangar por tantos anos mas a pinga deu cabo dele e da razão da cabeça. Vai sobrevivendo da bondade alheia e duns biscates aqui e ali…mas olhe que no fundo é bom rapaz, incapaz de fazer mal a uma mosca… mas diga-me já se sabe como aconteceu a morte do Carlos?

Sarrabulho franze o sobrolho e não responde, em jeito de despedida levanta a mão e toca ao de leve com os dedos no chapéu. Algo não bate certo…nem com Abílio Macieira, nem com o tal Toni, há ainda uns olhos amedrontados no meio da multidão e um tio que sabe como agir?!?!?!?!…


Nota: Este é um post interactivo. Reinaldo Sarrabulho é a personagem que vos representa e são vocês que vão deslindar o caso, descodificando pistas e sugerindo acções para o detective fazer. Lembrem-se que para descobrir o assassino há perguntas que têm que ser colocadas aos suspeitos. Todos têm um passado e todos têm motivos.


publicado por Bisbilhoteiro às 16:04
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7 comentários:
De Butthole a 6 de Abril de 2006 às 19:05
... começo a a stressar quem foi?!


De Octvio Ribeiro a 6 de Abril de 2006 às 14:12
Boa tarde, esta manhã a pequena e pacata aldeia de Farelos, acordou ensombrada por um misterioso crime. Ao que conseguimos apurar, um habitante local foi encontrado, por um vizinho, morto na sua adega parcialmente despido e com algumas marcas corporais fora do normal. A PJ ja está a averiguar esta ocorrencia e encontrasse no local. O reboliço ainda não parou com a grande maioria da aldeia a acorrer em massa a este local, no entanto todos se recusam a falar sobre o sucedido, dando-lhe um ar ainda mais misterioso, à expecção de um senhor vizivelmente alcoolizado que afirma a justiça da morte de Carlos Miguel. Sabemos tambem que o pároco da aldeia teve uma breve conversa com o inspector da Judiciária. Por hora é tudo, com a promessa de voltar-mos assim ke tivermos mais novidades sobre o caso, Octávio Ribeiro NV ( Notícias do Vaca)


De xorico a 6 de Abril de 2006 às 13:09
Ponto um:
Kem ek ficou encarregue de identificar todas as pessoas da aldeia e mais importante toda a gente ke se encontrava à volta deste macabro misterio?
Ponto dois:
A equipe cientifica da PJ ja chegou? A ke tirar impressoes digitais, procurar pegadas ou qq tipo de indicio. Ou será ke pela falta de verbas, não à guito para analisar as provas e este crime terá de ser resolvido à moda antiga?
E por fim ponto tres:
para quando o folhetim nº 2?


De ana_paula a 6 de Abril de 2006 às 08:46
A merxe romero é cá uma cavalona, nunca a tinha visto, que corpanzil, assim todo avançado! deve ser uma foda foda foda na cama, aposto que o papo de cona dela tá xeio de musculo!!!


De dona-madalena-sim-senhor a 6 de Abril de 2006 às 07:08
É O TONI É O TONI! Algo não bate certo. Porque é que o detective mexeu no xapéu super nervoso ca cena? Né? Toni tem algo fajuto pa mostrar. 10 paus no toni.


De sidsidsid a 6 de Abril de 2006 às 02:57
uauuuuuu, vou perder tempo a ler isto. Mas é verdade, as adegas por baixo das casas, em muitas aldeias (especialmente no norte do pais), são guarnecidas por pedras de granito, e aquela poeira normal da erosão da pedra concentra-se no ar "humido" e podre da loja da casa.

Muitas mulheres que vivem teóricamente uma vida mais saudável de "campo" e sem vicios da cidade, injustamente apanham o bichinho "cancro". Será de respirarem estas poeiras, que vivem e se acumulam em sítios temporais de morte, logo logo por baixo das suas casas?

Ainda pensei nos pesticidas, que os maridos peludos, vertem nos vegetais e maçâs verdes e durinhas...

poderá ser uma causa para o "bichinho".

Já digo mais qualquer coisa.


De Betty a 5 de Abril de 2006 às 17:14
Ora bem, face à situação encontrada afigura-se-nos para já dois passos importantes a desenvolver:

1º Investigar o que terá feito inchar o estômago do pobre do falecido;

2º O porquê do barril vazio. O que terá acontecido ao vinho que como nos foi dito terá enchido na véspera o dito barril.

Estas duas questões parecem nos fortemente interligadas, pois com os resultados da autópsia a que se irá proceder, certamente iremos ter conclusões que nos poderão para lá encaminhar.

Há ainda uma questão interessante, porque terá o homem morrido nu e de olhos esbugalhados.


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