Quinta-feira, 28 de Julho de 2005

Irmão

Ele:

Doutor

E não saberia eu quem sou, se tu soubesses quem és, se soubesses quem sou,
saberias que sou algo que nem mesmo eu conheço... não, tão pouco sei quem
és,
tem cuidado pintelho, porque do mesmo modo que esbofete-ei aquela megera
gorda e puta que fuma droga em pó, também te daria um bom par de tilitnates
palmadas nessa boca esbaforida de aguerrida vontade de dizer quem eu sou.

Portanto, te digo menino de barriga redonda, come cereais muesli para
defecares mais que a regra, bebe água em virtuosas quantidades, brinca com
a pila com maior tenacidade e come menos feijão, menos massas, menos pão,
menos carne... come sim, vegetal vivo e fresco, com cores fortes, peixe,
leite magro, sumo natural sem açucar e claro nada mas nada de doces.....
que te deixam cego e cada vez mais oval...

Eu:

Mas o que eu mais gosto
é mesmo de ir nas calmas
pelas ruas veias
em pulsão
enviasado numa comunhão tal
que tudo arde ou poderá
que eu ligo ou poderei
dar a crescer importancia
não sei

Sinto-me desnivelado com o ar
com a terra e a seiva que lhe brota
não sou destemida bota
nem furunculo agregado
sou mais desses que se usam
em usados esforços
mas que depois
não há nada em enjoos
carrinhos de bois.

Corcunda sincera
gente alerta
não tenham medo
não vou de filhos em filhos
nem filhós no natal de tais
avôs e avós
pais e mães
génese patrocínia do binómio descomplexado
não me dou aos gritos
irritado de pés molhados e alma de ventre atado
pelo menos que eu saiba não
e toco em vão
o sino dessa igreja
lá ao fundo
e de tanto andar nem vejo bem
postulo misericórdia aos teus
e deixo-me rir aos meus
afinal viver é o acto da limpeza
ora limpo os óculos
para te ver melhor
ora limpo o objecto depois de usado
para te dar calor amor
mas, mesmo assim, sempre haverá alguém bem pior.

Sempre podes dizer que tens vivinhas de 25 anos
que são bailarinas de dança oriental,
e esbanjaste no sonho
e não sou eu mais.

Ele:

Um deus de barro
faz-me um deus de barro com essas mãos
faz um, constrói um
molda um
caralho!

Eu:

xika xika a pila anika
fiu fiu fiu o teu pai fugiu
xama a tia da pia
foi acima foi abaixo empresária do tomásio

Ele:

Labaredas de esporra que culminam no pensamento perverso da imagem feminina
distorções de visões elaboradas com pele e carne e pelo, e sons de bocas
aguçadas pelo sabor do sal do suor
e as mãos quentes, destemidas avançam e espremem cada pedaço de corpo
escorregadio, como se de um sofá de pele regado com azeite se tratasse...

Carmesin essas putas rockeiras que desarrumam as algibeiras à procura do
baton essas meninas ingratas que se mechem como ratas e saltam noutro tom um tom de pavoneio e frenezim, contagiando o mais histérico chinfrim

e, no batuque da noite muda, eis que surge a moça ninfa e me suga... me
suga a vida e fico surdo, quedo mudo, vejo a cegueira mais negra e obscura.

Aquela da noite megera e nua.
Surge de assomo essa ninfa que ilumina qualquer esquina, aceno a nota e ela
rima uma rima de sonetos e gemidos, que fazem imaginar recantos húmidos vem a mim deusa puta, eu pago o que tu carregas entre essa roupa já desnuda,
já rasgada pelo ventre que fede a sabão azul.

sim eu sei, reconheço...

FUI MAIS RÁPIDO QUE UMA BALA PLÁS, PRUM, CRAU

TA, TÁ, TU, TRU, SPUNG


seria eu uma moreia que suga a vida

se fosses tu um pardal com asas de cegonha dourada
MAS NÃO SOU MESMO QUE ASSIM FOSSES CAÍRIA NA CONTRPAOSIÇÃO DE NÃO O ser... carmesim
essas doidas do rocK que comem baton às carradas

pirralho aprende algo com a vida dos outros, supera e sê um deus,
não te quedes pela nostálgia do "um dia poderia ter sido"
marcha JÁ em direcção à GLORIA
lança os dados, acerta nas respostas, confia na tua sorte e no azar dos
demais aproveita as oportunidades, suplanta as adversidades
vê os inimigos as dificuldades, as ameaças

e não vivas demais as amizades que são portadoras da perca de tempo... bem
sabes disso
mas será que sabes DISTO

e não te armes em pavão que lê e diz "nÃO!"... quem pensa que este é, que
julga que é!
pois se te disse-se que sou uma espécie de deus, tu não acreditarias, e se
fosse mesmo, tu nunca saberias
portanto, volta ao pavão que és e como de uma máquina do esqueciemnto usada
no men in black, eu te aponto e primo o botão... e click...

xau...

publicado por Bisbilhoteiro às 15:49
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

Por vezes a fantasia é a estranha realidade

Era uma miuda com buço, assim: simples, directo, grosso, sem caracois! A descrição disparada ao ar soa a sêco, aqueles pêlos eram reais, davam ar de névoazinha escura que sobrevoava aqueles lábios, era um matagal de pêlos, escuros, já fortes, riginhos. Não me tentem dizer o contrário: a gaja, já tinha feito o bigode várias vezes. Que ser humano estupor, vive em que sociedade? Moura! Mulher tem que aspirar a ser ´no máximo, meio maluca, mas bigodaça? Nunca! E enojei.

De resto nada a acrescentar, era impecável, pézinhos com unhas pintadas, como uma verdadeira fémea, uma Paris Hilton, uma clone mamífera de capa de revista de gaja: lábios, cheirinhos que se confundiam com o suor do verão, uns brincos a perfurar as orelhas de mamífera fémea, e qualquer coisas na ponta dos dedos da mão: FLORZINHAS PINTADAS!!! Gaja estupida, ou estupida da gaja? Sou misógeno? Misógena... mais tarde no texto vou descubrir que sou mulher, e mais não digo - Continuando: mamas no sitio, durinhas, como maças redondinhas, uma camisola generosa, a definirem bem os seios, e as cuecas... Notavam-se os elásticos, naquelas calças, pudera, ela sabia-a toda. Dum branco virginal aquele tecido tão fresquinho, tão singelo e fácil de raspar, parecia a túnica do papa, do outro, que este não gosto, é feio e meio nazi. Ela sabia-a toda, de calças a projectar tremendo cúzinho, com elásticos a demarcarem a vedação daquela quinta padaria de cu, ora aqui é rabo, ora aqui é coxa, sabia-a toda. Quereria ser violada a caminho de casa? Presumo que ia para casa, era um comboio, e ela ia de saco na mão, braçinhos meio bronzeados, vinha da praia? E maminhas duras, pequeninas como as da estação, mas duras.

Um par de preciosas mamas, e uma boca com pintelhos que surgiam em provocação politica, qual o macho viril que era capaz de lhe dar uma foda? Quem? Com aquele buço, parecia mais a filha anormal do pastor duma das grutas da serra da estrela. Mas... Há gente que gosta delas assim: abruptas e com o corpinho decorado pela mãe natureza das gentes que vivem na aldeia, viris, trolhas, ingénuos, e claro: praticantes do incesto, e ao domingo tudo para a igreja, render uns escudinhos à mafia da cruz, e deambular no enrredo social lá do burgo. Sois estupidos sois. E nisto de vaguear nas imagens que me assolavam, sento-me de frente a ela. Assim: eu aqui, ela ali, eu com caralho, e ela toda, ali sentada, de cona fechada ou aberta, não sei, mas tinha as pernas abertas.

Pausa! Isso é pecado, espreitar cueca alheia!
Eu já fui pUNK! E agora não... Não o caralho... E remexi-lhe por dentro da camisola, apalpei-lhe o seio. Ela deixou, abriu a boca, serrou-a, deixou sair baba branca, Regorgitou em soluços, devagarinho aos solavancos, numa dança demoníaca com as vibrações que lhe subiam a espinha do comboio, ela deitava baba, e eu apalpava-lhe as mamas surinhas, como seriam? Estalo! Não eram tatuadas, era só caroço com àgua do mar, salgada na planicie da areia, aquela cor intermédia acastanhada cor de pele, antes e depois das dunas e do mar, ali no meio... Cona húmida, ranhoca, e baba. Perseguia agora a cona. Tiraste-lhe uma fotografia?
Estalo dois, é verdade, estava a sonhar. Diz-lhe que ela simula bem um entardecer de sol na companhia de cães polícia apetrechados de raiva da boa.

Nesta rotina, deixei-me ir, e dei as mãos ao senhor, agradeci ao senhor, desci a montanha da felicidade, mas antes tinha lá ficado todo o dia, a benzer-me de gasolina, ó mãe, e peguei-me fogo, e gritei. Tiveste sorte. Voltei à miuda, de buço forte. Oh senhor, posso rezar?

Reza do comboio, aquando se avista uma mulher dócil duns 25 anitos, meio produzida e tal, e há que lhe dar uma chance, uma puta duma chance, a bigodaça não é tudo!

Onde é que está a tua cabeça?
Oh menina que andas por aí
a lançar abelhas doces aos olhos
dum menino bom como eu
com patins de linhas caias na colmeia
e eras logo adocicada em éter que se esvanece
tudo não é nada, deixa-me embebedar-te com algodões
um no teu umbigo, outro no teu nariz
narina direita se faz favor
e um na cêra do teu mais que tudo, com sabedoria audio

Esta é a rezinha para a putazinha
a miuda mais parva que vi
andava de comboio
tinha bigode
e duas maminhas, pudera...
Sentia-se gaja
porque por vezes
eu bem via
ela lá ia com a mão arejar
as bordas com lábios logo ali
na borda da cona.
Com o calor a mulher simbiótica de mamas ao lado dos braços
acena ao marido, ao amante
felpudos par de cornos
porque metade das mulheres são putas
e as restantes sonham com a despedida de solteiros
das melhores amigas
para irem foder em dupla penetração
com os jovens artistas
sem sida
saudáveis e de paus brilhantes e enormes
e depois gritam muito
reivindicam as cabras que gostariam de ser
e acabam sempre
por acabar com esperma sólida
na cara, em apoteose urram mais uma vez
e vivem com camadas de esperma
de estrelas de cinema diferentes
porque amanhâ é outro dia.

Menina do comboio
és puta
ou és das outras
que se enjavardam
e acabam em casa
com lenços de papel
a fazer movimentos circulares
completando o circulo mágico
streap tease, foda a um, foda a dois
gritinhos de cabra,
urros de vaca
e esperma na cara.

Menina do comboio vem a mim
deixa-me comer-te essa cona
não me telefones com avisos negativos
os telemoveis fazem cancro
e aquecem células da cabeça
não quero morrer
não quero ejacular esperma doente
quero-te fazer a barba como o pai natal
pois os teus bigodes são
matagal de aço
ficarias linda, um objecto anal.

E acordo. Tinha acabado de chegar um velho rebarbado, sentou-se ao lado dela. NÂO ANDEM NOS COMBOIOS DA CP.O sonho terminara, ele tinha unhaca e pêlos que lhe saiam aos maços dos ouvidos, era abonado das doenças todas, e ficou por ali, a recolher elementos para bater punhetas em casa. Falou-lhe, dançou-lhe a dança do ventre da mangueira, ficou com ela. Nojo.

Não gosto, e nem simpatizo com miudos fáceis de contentar
Nem com velhos com corcunda, com pele de galinha, nem com doenças
casos desses há às centenas uns em cima dos outros, tocam-se!!! Como nas filipinas, mas aí são mais travestis, na costa da caparica, logo a seguir aos ciganos que vendem a 10 euros, mas depois à sempre uns ciganitos mais "brancos" que vendem a 5 euros.

Sexy! Sou sexy demasiada sexy para a tortura do buço. E saio na proxima estação. Não violei ninguém no comboio, nem uma velha. A facilidade das coisas engana. "Eu acho que este gajo está apaixonado por ti mas ele é magrinho" - "É psicólogo" - E começo a correr, a querer parar com os comichões da cona. Há bués que não lava a paxareca. Deus! Quero ser homem. E apanho os ultimos raios do sol, e masco uma merda qualquer. Orgasmos na boca

publicado por Bisbilhoteiro às 16:50
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Sábado, 23 de Julho de 2005

Myiu - chapter II


A caminho do Fundão.
Myiu olhava pela janela admirado, com os olhos absortos num enorme e imponente rochedo que se aproximava.

- As Portas de Rodão, meu lindo!

A velha sentada à frente dele acordara da leve dormência, como se estivesse programada para o avisar da chegada à vila.
Myiu sorriu-lhe por compaixão e tornou a virar-se para a janela.
Ao lado, no mesmo compartimento, dois rapazes discutiam um assunto aparentemente sem nexo.

A paisagem era agora composta por um rio espesso, delimitado por dois desfiladeiros ricos em vegetação rasa e algum arvoredo semeado aleatóriamente.
Havia aves. Inúmeras aves coordenadas, a esvoaçar entre os desfiladeiros. Aves brancas e de outras cores. Talvez procurassem alimento.

- O do Álvaro tá sempre ferrado.
- Bem podes! O Vilson orienta bem...
- O Vilson é um bacano! Vai-me arranjar algum, pra mim e prá Vera.
- Ela anda fixe?

Nisto entra um hómem desarranjado, com barba e cabelos grisalhos, pele queimada do sol. Usa um chapéu preto em forma de cartola cortada a 1/3, e uma fita cinzenta na base.
Num gesto estudado, encara os dois rapazes enquanto abre a aba esquerda do casaco de polyester preto.
- Já viram que horas são?

Myiu voltou-se.
Viu meia dúzia de relógios com braceletes douradas, pendurados no interior do casaco do senhor.
Tomado de receio, escondeu o seu Casio a pilhas com luz verde, que a mãe lhe oferecera nos anos, e voltou a encarar a janela, fingindo sentir-se à vontade com a a situação.

- Nééépia!
Acabou por responder um dos rapazes, erguendo o polegar da mão para cima, num gesto universal.

Antes de sair, o hómem prendeu-se por breves instantes no compartimento, e deteve-se a olhar para Myiu. Este não tirava os olhos da janela.
A velha permanecia imóvel, a dormir de boca aberta, com a cabeça encostada no estofo de lona castanha.

- Ei moço!
Myiu fingiu não ter ouvido
- EI MOÇO! – gritou.

Myiu voltou-se por fim, apreensivo.
A velha acordou em sobressalto.
O hómem girou 20 graus sobre si, sorriu, e abriu a aba direita do casaco na direcção de Myiu.
Os olhos deste iluminaram-se.


publicado por Bisbilhoteiro às 22:39
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2005

Comer uma grávida

E foste a mais bonita
casaste em sacrificio sem o saberes
comeste flores sem cores
e morreste.

Degolada de mão dada
destemida de facto
marés de riso e choro
tudo unido de olho desfocado
queriam-te virgem.

Ias para as escadas fumar
droga bazeado sinceridades apelativas
com ar de ferida aberta
provocadora irresistivel
pintada como calhava
uma zebra malhada
com pernil dobrado,
ali deitada ao sol
de pernas cruzadas.
Quem é que não te queria violar?

Destemida de faca na mão
fazia cebolas cortadas, ervilhas assadas
e tinha umas maminhas pistolas
ali na pedra fria da cozinha
destapava-te os seios
comia-te os pintelhos
era um raio de gastronomia celeste
tu eras mais que mil celestes
era bom, e melhorava a cada vez
que te comia essa rata
e te chupava todos os teus orgãos.

Rias-te presa aos pulmões
tinhas sentido puritano
e nem me deixavas acariciar-te enquanto cagavas
eras fundamentalistas dum corão malcriado
qualquer coisa assim, com complexos
até que te comi o cagalhão
era quente e eu voraz
e tu quando deste conta
adoeceste.

Amo-te, e comeria-te a merda toda desse
cú anexo a essa vaginazinha corpulenta
com lábios a lembrar o mais precioso fiambre
da história de portugal.
Vagina babosa, com sabão que tudo limpa
e cuzinho cagão.
Eras cá uma gaja fina!

E eu comia-te essa merdinha
oh sim senhor
e sabia tão bem.
E afiava-te as mamas
a minha vaquinha pranha
antes de teres o nosso puto
sempre imaginei-te pranha
cadela gorda afectada dos movimentos
como que amputada
de cerco fácil, acomodada aos desejos duma grávida
ali deitada, na furda dos sabores
a fossilizar essa cona a rebentar pelas costuras,
de cu e rêgo a desfolhar a banha a aumentar
de mamocas inchadas, com leitinho para o puto
Grandes fodas te dei.

Metade nem quiseste
mas grávida e o caraças
não mandavas nada
foi comer-te essa cona de gorda obesa cheia
imensamente cheia
arranhar-te por dentro com os meus dedos cheios
de chocolate profano desse cú de intestinos cheios
de alpista para mim e o puto dentro de ti.

Comer-te foi bom
essa cona inchada, foi um deleite
dar-te com o meu vigoroso naipe de erecções
dentro de ti a achocalhar-te essa vagina cheia, imensa
vermelha, a explodir
e esses pubicos esporrados quando ela saia para fora
tanta vez que me vim.

E foi tão bom
comer-te e morder-te as tetas de porca gorda pranha
chupar-te algum leite, que o puto não leva a mal
e quando não querias...
Atava-te puta.
E batia-te.

Eras um tão bom cú
uma cona inchada a rebentar de foda
um puto lá dentro
eras tão redondinha e pesada
e comer-te o cú com os dedos e a cona com o caralho
sim gritaste e sangue e tal
foi tão bom.

Dei o teu leite à minha esporra
quando me ia lavar
e deixei-te a secar da merda liquida
ficaste uma bela construção de merda,
naquele quarto que tresandava a mijo de gajo e urina minha ou tua
tudo sêco, e bafo doente, mercado de carne tropical
um dia...

Levo uma serra para serrar ferro
e faço-te troféus com os teus fémures de miúda que fode bem.

publicado por Bisbilhoteiro às 18:32
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Domingo, 17 de Julho de 2005

Myiu - Chapter I

Calou-se a bruma ociosa por detrás do desatino de Myiu.

O combóio já vinha bastante atrasado, e um pardal jazia semi desintegrado na linha, já sem a bagagem, esquecido das horas. Seria o final da linha? Talvez a conclusão lógica de um suicídio bem planeado.

Desprendeu-se uma brisa desconfortavel no cimo dos montes serranos. Myiu tiniu de frio e abotoou o casaco, consciente do momento, e enquanto isso, debruçou o olhar desatento sobre um pássaro pousado inerte no paralelo mais distante de uma linha que não acabava ali, em seu entender..

O guarda Vilar assumou-se ao postigo por breves instantes, e deu a derradeira passa no cigarro antes de o lançar à aleatoriedade da brisa, que agora corria veloz e desesperada, junto da linha.

- E então miudo!

O som das palavras dissipou-se tão depressa como tinha surgido, levado pelo vento ao longo da linha, percorrendo-a e ricochetando-a ao longo de vários metros.

Myiu voltou a cabeça e esboçou um sorriso descomplexado, embora desalentado com o atraso do corpo férreo que viria a qualquer instante.
A beata rodopiou no chão e rolou até junto do sapato do rapaz

Myiu olhou
O vento desferiu um golpe ondulatório e desnudou o pássaro de forma agreste
O guarda teve uma convulsão
Myiu olhou...
Do lado dos montes chegam os sons destemidos de ferro e aço num galope determinado

A estação ficava agora irremediavelmente mais cedo, e um pardal consentiu mais uma morte.

Myiu…



publicado por Bisbilhoteiro às 22:48
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

JJJJJJ

Entro na estação. Por entre malas, chegadas, partidas, entre abraços de alegria, entre abraços de despedidas, entre sorrisos presentes, entre lágrimas ausentes, dirijo-me à bilheteira, compro o meu bilhete para parte incerta, para chegar até ti...

Já com permissão para viajar, saio... ao longe, sinto o soluçar de uma máquina,
A respiração de uma força, de um coração a bater...
Ao meu lado vejo a ansiedade da viagem, da chegada ao tal lugar...
Em mim sinto a vontade de sair, a vontade de misturar a minha mente neste corpo que agora chega, sermos um... permitir-me ser grande, ser magnânime...viajar, conhecer outros lugares, ver-te noutros olhos, sentir-te noutras palavras...

Preparo-me para entrar... já lá dentro o turbilhão de sentar, levantar, arrumar a mala, tirar o farnel, meter o casaco, sentar a criança, descobrir o lugar, protestar pelo lugar, peço desculpa, olho para todo o lado, alcanço o meu trono...e por fim sento-me...e sinto-o... ecoando no meu cérebro, o sinal de partida como que dizendo: vai, corre, o mundo é teu, estamos na palma da tua mão... e o meu corpo, como que respondendo ao desafio, começa a tomar balanço, dá os primeiros passos confiante de ganhar, como um pássaro ganha os céus, sem cair, sem hesitar... e escorre estonteante por lisas linhas, sulcando os sulcos, ritmando a vontade que cresce e cresce...

Nisto, sinto-me embriagado... adormecem-me os sentidos, desperta a minha mente e pensa... na chegada, em quem me espera, no teu corpo, no teu cheiro... relembra dias felizes, martiriza palavras que magoaram, mas sempre tu... a imagem de ti a sorrir ao acordar, com os olhos semi-cerrados... o som da tua gargalhada...lembro e sinto-me só... relembro-me e sinto-me bem... acalmo-me porque estou a voar... a voar para casa...a voltar para ti... abstraio-me um pouco dos meus pensamentos, e admiro as imagens em movimento: a criança que corre pelo prado para ver a máquina passar, a vaca que ao seu ritmo deambula na comida, o olhar de quem vai entrar, o olhar de quem procura quem vai sair, e de novo a alegria de chegar e a tristeza da saudade, que de tao grande, se chora mesmo antes da partida...e de novo a algazarra de gente que se atropela e instala, assisto ao cómico ridículo do ser humano, como quem se olha ao espelho enquanto para ele faz caretas estranhas...

de repente, a força torna-se cansaço e o olhar atento vira agora um olhar apagado... adormeço, como se em adormeçendo, tudo ficasse ainda mais veloz, as estações passaram sem se notar, as pessoas entraram e sairam sem fazer barulho e tu... tu, mais perto, num ápice a tua ausência transformar-se-ia em presença, a tua imagem em realidade...

passou o tempo... e o resto... o resto já tu o sabes...

(por cona peluda de noite lambida e bem aberta, que me venho em cima, e não fodo... é tão demasiado boa que não me aguento)

publicado por Bisbilhoteiro às 15:19
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Terça-feira, 12 de Julho de 2005

Crédito pessoal

A VERDADE É QUE EU MEREÇO UMA CHANCE!

Fiz-me num suor, numa estrada, e quando lá cheguei
descansei as palmas das mãos nas costas duma gaja
deitei-lhe a bolsa ao chão, desculpa.
Depois, em rios de suor
despenteei (tentei) o cabelo curto
de barba afiada, com ar de cigano desconfiado
e de musculos pesados, mais definidos do que mansos
reparei que quem se desviava não era eu
eram eles.

OVNIS MARADOS COMEM POR TRÀS SEM SABEREM

Enalteci-me em instantes ao espelho
com um: sou belo e lindo e perfeito, sou forte.
Mas não era tudo,
o meu amor desconfiava da falta de paixão
apesar das fodas fantásticas que ele próprio admirava
e nisto, percebi, que fisico e alma demoníaca não é tudo.
Ele pediu-me a prova de amor
a coisa escaldante que nos funda em calor para um sempre
mágico dessas pérolas de flor nua, afrodisíaca hipnótica mágica
o amor. Oh rêgo! Trepadeira flor que se esconde num escuro branco
e cheira tão bem... Mas não é tudo!

ESTADOS DE LARVA CONDESCENDENTES NÃO ATACAM

E como é que lá chegaria? E qual a forma do verbo?
Como é que lá chego? Num chegar assim pertinho
com ar eterno determinado e insultante com tudo
num tudo rácio de desgaste mágico
na pedra da vida, do mural céu
dos olhos meus aos teus
e tu que vejas o que vejo...

FLOR DE LIMÂO SEM PREÇA PARA FUZILAR NARINAS

Mas a paixão?
Simples ou complexas fodas
animalescas ou carinhosas fodas
principiados contaminados com conversas psicotrópicas
de dias inteiros, de onças de ouro nas metáforas
ou de ideias sinceras e humildes sem repuxos
sem a merdinha clássica do rócócó.
Não chegava... Não chega.
Não quiz acreditar que a minha essência era efémera,

MAS NÂO È!

E puz-me a trabalhar, porque sou egocêntrico, porque sou
daqueles que não aceita um controlo.
Sou mais daqueles, do sarcasmo juvenil
dado às novas gasolinas que fazem andar menos
mas com mais qualidade de arranque
sem preocupação na carteira, em estado pré-cota
a responder aos desatino com a calma exigente
dum engravatado, mas sem o ser.
Abnegado de histerismo clássico das hipérboles da ébriedade,
dos rocks e rolls, da verdade total das coisas que não o são
e um dois três, venha outra vês.
Deixei-me disso.
Sou mágico.
Se ele quer paixão, vou-lhe consumir o nome
deitar-me em cima das nuvens e cuspir sementes a arder
queimar-lhe os parasitas juvenis que o venham a trepar
destruir a maldição
e encher-lhe novas vagens no sangue nosso.

DADOÍSMO AO ACASO È LINDO, AFINAL EU NÃO

Queres um filho?
EU faço-te um filho.

AMO-TE SACANA!
PAIXÂO é hoje à noite!
Foda contra a parede
conexão para o outro lado,
revira e ventoinha
vamos aniquilar o calor filho da puta
com mais 40 graus.
Eclode amor
eclode amor!

LIBÈLULAS ESPANCAM BORBOLETAS NO JORNAL

Sou teu, aqui e sempre.
Assino-te com tudo, os teus olhos revigoram-me
are you ready to this?
SIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
vou-te dar musica
e drogar-te tanto
que não vais acordar
do meu néscio que ribomba na razão
desse deus que não sei
o nome.

AMO-TE.

publicado por Bisbilhoteiro às 16:35
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